Escassez de medicamentos no Irã eleva custos e compromete tratamentos

No Irã, a crise econômica e a escassez de medicamentos têm levado pacientes a adiar ou interromper tratamentos essenciais. Uma paciente de 70 anos com câncer de mama, por exemplo, deveria fazer seis sessões de quimioterapia, cada uma custando cerca de 100 milhões de tomans iranianos, o equivalente a quase seis vezes o salário mínimo local, que é de R$ 475. Diante desses custos, a família precisou postergar o tratamento enquanto busca recursos financeiros.

De acordo com relatos de médicos iranianos no exterior, os preços medicamentos essenciais têm disparado. Uma farmacêutica local aumentou em até 120% o valor médio de 82 produtos. O donepezil, usado contra Alzheimer, teve reajuste de cerca de 543%, e antibióticos como claritromicina e amoxicilina subiram mais de 100%. O impacto é ainda maior para pacientes que dependem de insulina, cujo preço subiu mais de três vezes, chegando a R$ 31 por mês depois do reembolso do seguro.

Impactos graves na saúde da população

Médicos alertam que a falta de acesso aos medicamentos eleva o risco de agravamento das doenças e pode levar à morte prematura. Para muitas condições de saúde, não há substitutos eficazes, tornando os atrasos nos tratamentos uma ameaça direta à vida. Pacientes com câncer são os mais afetados, pois o cronograma de terapias oncológicas é rígido e qualquer adiamento reduz sua eficácia.

Além disso, a escassez tem impulsionado a busca por remédios importados por meios informais, destacando riscos associados ao armazenamento inadequado e à possibilidade de falsificações. Medicamentos famosos, como o Keytruda para câncer, chegam a custar até quatro vezes o salário mínimo em versões produzidas localmente, e muito mais caros quando importados.

Sanções e dificuldades econômicas agravam crise

A complexa conjuntura econômica iraniana inclui sanções dos Estados Unidos que restringem transferências bancárias internacionais, dificultando importação e fabricação de medicamentos. Embora certos bens humanitários sejam isentos das sanções, a burocracia financeira tem atrasado remessas essenciais.

Funcionários do governo iraniano reconhecem que dificuldades na cadeia de suprimentos e demora nos pagamentos a fornecedores aumentam a escassez, mesmo com o aumento do volume de moeda estrangeira destinada ao setor farmacêutico em 30% no último ano.

Consequências para o sistema de saúde e pacientes

Atualmente, cerca de 43 medicamentos estão em ‘escassez crítica’ e quase mil produtos enfrentam falta parcial. Isso obriga pacientes a arcarem com mais de 70% dos custos dos tratamentos, originalmente divididos entre seguradoras e governo. Com isso, muitos interrompem terapias essenciais, afetando diretamente a qualidade de vida e sobrevivência.

No caso da paciente de câncer mencionada, o adiamento do tratamento reflete a realidade de milhares de iranianos diante da crise interligada entre guerra econômica, escassez e preços abusivos. A família desespera por alternativas para garantir a continuidade da quimioterapia.

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