O São Paulo Futebol Clube está em processo de apreciação de uma ampla reforma estatutária que pode mudar profundamente a estrutura de poder dentro da entidade. Segundo o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, a proposta em análise pretende limitar os atuais poderes do presidente executivo e introduzir mecanismos mais rígidos de controle administrativo.
Mudanças estruturais no comando
Atualmente concentrado na figura do presidente, o poder de decisão no São Paulo pode passar a ser mais equilibrado caso a reforma seja aprovada. A ideia é adotar um sistema de pesos e contrapesos, inspirado em modelos de governança corporativa, o que permitiria maior participação de diferentes grupos políticos e afastaria o risco de decisões centralizadas em uma única liderança.
De acordo com Ayres, essa nova configuração contribuiria para pacificar disputas internas e promover uma administração mais democrática no clube. "A intenção é retirar o caráter absoluto do cargo máximo e prevenir exageros, preservando o São Paulo de futuras instabilidades políticas", enfatizou o dirigente em entrevista concedida ao programa CNN Esportes S/A.
Caminho para o modelo corporation
Outro ponto destacado por Olten Ayres envolve a possível transformação do São Paulo em uma corporation, formato em que o controle acionário é divido entre vários investidores e associados. Ele defendeu que a aprovação da reforma estatutária seria o passo inicial para iniciar estudos detalhados sobre a transição para este modelo, visto como alternativa moderna à proposta de controle concentrado por um único investidor.
Ayres cita ainda que, em uma corporation, o poder e as responsabilidades seriam distribuídos entre múltiplos acionistas que poderiam incluir fundos de pensão, torcedores interessados e diferentes grupos econômicos. "Isso permitiria a diluição de riscos e maior transparência nas decisões, o que tende a fortalecer o clube institucionalmente", complementou.
Riscos do controle por investidor único
O presidente do Conselho Deliberativo explicou, ainda, que é contrário à possibilidade de um único investidor assumir o comando do São Paulo. Na opinião dele, esse caminho representaria risco de instabilidade para a instituição e afastaria os sócios-torcedores das principais decisões. O formato de corporation, segundo Ayres, é mais condizente com a tradição participativa do clube e com as melhores práticas do futebol moderno mundial.
"A diversidade de investidores é o que garante a estabilidade institucional e o engajamento da comunidade são-paulina", avaliou.
Próximos passos e expectativas
A votação sobre a reforma estatutária do São Paulo está prevista para ocorrer na próxima semana. Caso seja aprovada, a medida já terá impacto na eleição presidencial seguinte e abrirá caminho para a modernização da governança do clube. O tema promete seguir em debate entre sócios, conselheiros e torcedores nos próximos meses.
Continue acompanhando as notícias do São Paulo e dos principais clubes do Brasil em football360brazil.com.

